segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Química


Nossa química acabou
a reação não era reversível
A força entre nós é muito fraca
E as soluções diluíram

Não havia mais constante de equilíbrio
A energia circulava forte demais
Pisávamos no chão molhado
Com a eletricidade correndo por nossos pés.

Foi nesse ponto que teve fim
Éramos quimicamente unidos
Quando um sal nos separou
Não afetou apenas a mim
Pois a nossa união ele matou.

domingo, 22 de agosto de 2010

Fernando Pessoa


Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na
Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria

E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,

Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferêrencias.
O que for, quando for, é que será o que é.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O fim

Ele se sentia aliviado
sabendo que sua morte não mudaria nada.

O mundo continuaria girando
as árvores brotando
os homens nascendo
sua ida não influenciaria nada.

Mas o alívio dele brotou
pesadelos meus.
Não pude impedi-lo
só pude ouvir seu adeus.

sábado, 14 de agosto de 2010

Capítulo à parte

Com olhos de ressaca me olhou,
sorriu e disse o que eu queria ouvir
em palavras um tanto tontas
e com uma voz embriagada.

Não tive resposta
Um beijo deu fim à tudo.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Fetiche

Jogo de verdade
virado em mentira.
Quando dizes que me ama
mas apenas me domina.

Dono de um corpo
com sentimentos enganados.
Caminha na velocidade da luz
anda com pensamentos embaralhados.

Dando voltas no mesmo eixo
seus círculos são mais previsíveis.
E mesmo com todas as pistas
suas escolhas não são visíveis.

Seu lenço agora cobre meus olhos
Sinto fitas prendendo minhas mãos
Correntes enrolam meus pés
Fui envolvida, você me tem na mão.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Entregue


O fracasso me subiu a cabeça

desde o momento em que toquei seus lábios.

Iludida com a vida eu desejei o mal a mim mesma.

Deixei de evoluir com o tombo anterior, para regredir a um patamar inimaginável.

Eu me vi sofrer em seus braços, mas mesmo assim o encarei

como se eu estivesse ao lado da luz no fim do meu túnel.

Depois de tantas placas de perigo e tantos avisos

me vi caída em um buraco maior do que aquele em que pensei ter sido resgatada.

Eu mesma trouxe a ilusão de volta, a miragem de felicidade que avistei

nada mais era do que a escuridão crescendo em meu peito.

Agora o ar a sua volta me sufoca, sua presença me aterroriza e sua ausência

já representa mais um espaço de dor em um coração abalado.